Cânion Espraiado de bike

Uma aventura pra quem gosta das boas “indiadas”!

Nós já conhecemos alguns pontos famosos de Urubici, mas o Cânion Espraiado estava na nossa lista desde a última vez que lá estivemos em Janeiro de 2017.

Queríamos acampar no cânion em um fim de semana, e assim fizemos, subimos no sábado pra descer no domingo.

O clima prometia temperaturas agradáveis ou até quentes para a região durante o dia (até 27 graus) e 8 graus durante a noite.

Falamos com o Marcos, um dos proprietários da fazenda onde fica o cânion. Eles cobram uma taxa de R$30 por pessoa de entrada + acampamento.

Deixamos o carro na frente da casa do Marcos e seguimos de bicicleta até o nosso objetivo, sabendo que no total seriam 31km até o topo.

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Estrada rumo ao cânion. Uma parte de asfalto lisinho…

 

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Aos 18km de pedalada, chegamos na primeira porteira, que fica logo depois do Refugio Rio Canoas. Ali há um local à beira do rio, com mesa, bancos, sombra e uma torneira com água fresca. Perfeito para o nosso lanche antes de começar a subir, subir, subir…

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Um local convidativo para parada…

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Logo em seguida, chegamos à  Pedra da Águia. Parada pra fotos e seguimos.

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Em frente a Pedra da Águia.

A estradinha começa a ficar pedregosa e vai piorando conforme avançamos. O rio vai acompanhando ao lado da estrada e deixa esse “pedalar” muito prazeroso!

Uns 7 km após a porteira, inicia uma subida forte, com muitas pedras grandes, onde só sobem mesmo carros 4×4, pedestres e bicicletas… 😛

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Momento em que eu penso: – Mas quem foi que inventou de vir pra cá mesmo?

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E sobe…

A parte mais forte da subida tem aproximadamente 4km que, depois de vencidos, já se avista o cânion!

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A primeira visão do cânion…

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Apesar de já vermos o cânion, ainda leva mais 1 km até chegar na casa da família do Marcos, local onde deixamos nossas bicicletas guardadas para passarem a noite, pois a partir dali a trilha fechada impossibilita a passagem delas.

Marcos também nos ofereceu para uso o banheiro da casa com chuveiro quente, que maravilha! Antes de descermos a trilha, já tomamos banho e descemos cheirosos para o local onde acamparíamos. 😀

Chegando na borda do Cânion, vimos que já haviam por ali 4 barracas montadas, escolhemos um local não muito perto, nem muito longe, afinal o local pareceu ideal para passarmos a noite protegidos de algum vento excessivo na madrugada.

Logo que terminamos de montar a barraca, fomos apreciar o visual de fim de tarde, e então começaram a chegar nossos vizinhos. Era uma turma de 4 casais jovens de Criciúma, subiram pro cânion naquela tarde também e voltariam no dia seguinte.

Enquanto preparamos nosso jantar, comemos e fizemos algumas fotos do céu mais estrelado que já vi! Nos juntamos aos vizinhos ao redor de uma fogueira e tivemos um agradável bate-papo.

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O céu mais estrelado que já vi!

Nos recolhemos logo, para acordar cedo no dia seguinte, afinal o amanhecer prometia.

Acordamos às 6h, tomamos café olhando para o cânion e então saímos para explorar o local em busca de boas paisagens e fotos.

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O amanhecer no Cânion Espraiado.

Fazia bastante frio, mas o sol logo apareceu e nos aqueceu durante a caminhada na borda do Cânion Espraiado. Estávamos só nós dois e pudemos observar e fotografar com calma aquela fantástica obra da natureza!!

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Lááá no fundo, é possível ver a estrada da Serra do Corvo Branco… Demais!

Voltamos pro acampamento, desmontamos tudo e subimos a trilha até a casa onde resgatamos nossas bicicletas para o retorno a Urubici.

O retorno foi praticamente de descidas, boa parte segurando a bike freando, mas muito tranquilo e agradável.

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E a volta continua tendo que empurrar, mas agora a maior parte é pra baixo!

Chegamos no carro felizes e agradecidos pela oportunidade de conhecer mais um lindo pedacinho do nosso estado, nossa Santa e bela Catarina!

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Ausentes e seus Cânions

Desde muito tempo que queríamos conhecer a região dos Cânions na divisa entre SC e RS, e decidimos que 2017 seria o ano de realizar esse desejo.

Como já pretendíamos sair da cidade no Carnaval, esse foi o feriado escolhido para irmos para as proximidades de São José dos Ausentes pedalar e acampar. Pegamos preciosas dicas da região com o amigo Sander, que sabíamos já ter pedalado muito por ali.

Saímos de carro de  Floripa no sábado bem cedo, e as 10h já estávamos no mirante da magnífica Serra do Rio do Rastro, ali tomamos um café e seguimos para a Rota dos Cânions, após 66 quilômetros de estrada de chão em precária situação. Chegando na comunidade de Silveira (aprox. 20km antes de São José dos Ausentes), a fome já batia no estômago, passamos em frente a um restaurante aberto e decidimos almoçar lá mesmo, até porque era o único da localidade. Durante o almoço, revisamos nosso roteiro e resolvemos que ali seria o início da pedalada, pedimos autorização ao dono do restaurante para deixar o carro na frente de seu estabelecimento até terça feira e então saímos com as bikes já carregadas rumo à nossa aventura.

Saindo da comunidade do Silveira.

O objetivo nesse dia era pedalar 15 km até o Cânion Amola Faca, que fica dentro de uma propriedade particular e pedir autorização para acampar lá, em algum local que nos permitissem montar a barraca. Seria nossa primeira experiência de camping sem estrutura de banheiro, cozinha e tal, o famoso “camping selvagem”.

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Aqui a estrada era bem boa… 😛

Bem, 15 km parecem muita moleza pra um dia de cicloviagem né? Só que não! Saímos sob um lindo sol e logo depois que saímos da via principal a estrada vira um pedregulho só, as pequenas subidas me faziam descer da bike, que dançava sobre as pedras e a qualquer bobeira ameaçavam me jogar no chão. Mas devagar a gente chega, afinal serão só 15 km!

Atravessando um dos muitos riachos que cruzavam o caminho

Então em minutos começa a acontecer um fenômeno muito comum na região, a viração! Uma serração nos cobre, uma garoa fina e o frio começam a bater… Difícil enxergar mais que 5 metros a frente. Vamos seguindo, abrindo porteiras, encontramos um senhor trabalhando com uma máquina na estrada, fazendo com que a terra misturada à umidade virassem uma lama bem grossa, grudando nos pneus, corrente e tudo mais. Pedimos informação a ele pra sabermos se estávamos no caminho certo e tudo ok, era por ali mesmo. Quando a roda da bike já quase não gira mais, chegamos em frente uma casinha de madeira. Sabíamos que ali era a casa onde deveríamos pedir autorização, estava toda fechada, mas havia uma moto do lado de fora. Batemos palma, o cachorro começou a latir e logo em seguida aparece o Bruno. Começamos a conversar, ele de dentro da casa e nós na chuva… Falamos do nosso contato que havia nos indicado a procurá-lo, ele logo disse que éramos bem vindos e que poderíamos acampar em qualquer lugar ali mesmo perto da casa. O cânion? Nem lembrava mais dele ou de perguntar pra que lado ficava, pois nesse momento parecia que estávamos dentro de uma nuvem gigante, não se via nada ao redor e fazia muito frio. Nós estávamos já bem molhados por conta da viração e o Bruno então ofereceu para montarmos a barraca dentro do galpão ao lado da casa, ufa!  Bruno gosta muito de conversar e enquanto montávamos a barraca ele ficou ali conosco proseando. Logo nos ofereceu o seu banheiro emprestado par uma banho quente, wifi da sua internet por satélite (!!!) e água pra lavarmos as bicicletas que estavam simplesmente imundas… Santo Bruno!

 

Viração acontecendo

Após um banho quente, colocamos roupas secas e cozinhamos uma massa para a janta. Fomos dormir cedo, pois no dia seguinte Bruno nos recomendou acordar cedo e caso o tempo estivesse bom, caminhar até a borda do Cânion Amola Faca, a 1 km dali, antes que a viração aparecesse novamente, pois ela é comum nos meses quentes.

As 6h da manhã o dia clareava, olhei pra fora da barraca e vi que o tempo estava bom.
“- Ari, vamos levantar, vamos ver o cânion!” Fizemos café, colocamos na garrafa térmica e levamos para tomá-lo na borda do cânion. Depois de uns 15 minutos de caminhada começamos a ver os paredões de pedra… Uau!! Não consigo descrever o quão impressionada fiquei… Que maravilhoso!!

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Cânion Amola Faca

Ali ficamos uns 40 minutos, observando, tomando café, tirando muitas fotos.

Voltamos pra barraca, arrumamos tudo nas bicicletas e partimos para o nosso próximo destino a 18 km dali: Camping Toca da Onça. Conforme as dicas do Bruno, não precisávamos voltar para a estrada principal, podíamos chegar lá pela “estrada velha”, que vai sempre próxima das bordas dos cânions. Nos animamos, mas não sabíamos o estado da estrada para bicicletas, afinal, Bruno só passa ali a cavalo.

A estrada não era ruim, era péssima, muito mais pedras que a do dia anterior. Perigoso nas subidas e descidas… Como a distância que tínhamos a percorrer era novamente pequena, seguimos por ali, na esperança de ver mais algum cânion.

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Recompensa por tomar o caminho alternativo.

Apesar de acontecer mais uma viração que não nos deixou ver o Cânion Realengo, o caminho era lindo e mesmo tendo feito bem mais esforço, foi muito mais bonito e quase não passaram carros por nós.

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Daqui deveríamos ver o Cânion Realengo, mas…

Chegando no camping, que estava bem movimentado, afinal era carnaval,  fomos muito bem recebidos pelo Bêbo, o dono do Toca na Onça Eco Mountain. Após os acertos necessários, montamos nossa barraca, tomamos aquele banho e logo começamos a preparar nossa comida na cozinha compartilhada do camping.

Enquanto jantávamos, começavam os preparativos para um show ao vivo marcado para acontecer no camping naquela noite. A temperatura esfriou bastante e dormimos ouvindo boa música ao longe e com um bilhão de estrelas sobre nossas cabeças…

Amanhecer de segunda, saímos sem bagagem pra conhecer o Cânion Montenegro.

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Em direção ao Cânion.

Seguimos pela estrada de terra um pouco melhor que a do dia anterior, mas ainda pedregosa, sempre subindo e descendo, e em aproximadamente 1 hora e meia já estávamos na borda dele, com visibilidade total, espetacular!

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Cânion Montenegro, magnífico!

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E pra todo o lado que olhamos as paisagens são lindas!

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Caminho de retorno do Cânion Montenegro.

Após uma hora de apreciação e fotos, voltamos para o camping, onde almoçamos e de tarde partimos em direção ao Cachoeirão dos Rodrigues, onde há uma imponente cachoeira, famosa na série A Casa das Sete Mulheres exibida na Rede Globo. E também onde tem um ponto muito curioso que se chama “Encontro de dois Rios”. No ponto onde esses rios se encontram, um corre para um lado e o outro corre para o lado inverso. Muito curioso, e muito bonito também!

Chegando na localidade onde existem as duas atrações, escolhemos entrar no Cachoeirão dos Rodrigues, e àquela hora a temperatura já era de 27 graus, que após encararmos todas as subidas até lá nos deixou com muita vontade de um banho no rio.

Para entrar na propriedade paga-se uma taxa de R$10 e ao fazermos o pagamento pedimos informação à dona, indicação de um local para banho naquele rio lindo. Ela nos disse que na cachoeira é totalmente proibido, pois há risco de acidentes, mas gentilmente nos indicou uma parte do rio onde poderíamos aproveitar e nos refrescarmos.

Pronto! Ali ficamos mais de 1 hora, aproveitando o sol e aquela água transparente… Fantástico!!

Depois fomos visitar a cachoeira e iniciamos nosso retorno do passeio.

Antes de seguirmos para o camping, fomos até a comunidade do Silveira e lá já pegamos o carro pra levar ao camping. Assim, no dia seguinte já colocamos tudo no carro pra seguir pra Floripa, com um sorriso de orelha a orelha! 😀

Finalizando, foi um Carnaval incrível, pra cicloturista nenhum botar defeito!

OBS: Nós escolhemos acampar, mas na região tem bastante opção de pousadas. Vale a visita! 😉

 

 

Pelos Vales e Montanhas de Urubici

Urubici é uma cidade que fica a aproximadamente 170km de Florianópolis, cidade turística, conhecida pelo clima serrano e de muito frio no inverno.

Nós já conhecíamos a cidade, estivemos lá há uns 8 anos atrás, quando não pedalávamos.

Depois que começamos a pedalar tentamos várias vezes voltar lá para encarar os desafios de Urubici, mas os planos demoraram pra dar certo.

Enfim, nesse fim de semana de janeiro pudemos retornar lá e experimentar alguns trajetos muito recomendados por nossos amigos.

Sexta feira: Morro da Igreja

Saímos de Floripa pela manhã cedo, chegando lá fomos direto ao ICMBio (detalhes a baixo), almoçamos no centro e nos dirigimos ao Camping Nossa Senhora da Graças. É isso mesmo, a partir de agora passaremos a experimentar a arte de acampar, hábito até então desconhecido para nós dois….

CampingO camping estava praticamente vazio, escolhemos um local para nossa barraca, a montamos e nos arrumamos para o primeiro desafio: subir o Morro da Igreja – é de lá que se avista um dos mais famosos cartões postais de Urubici, a Pedra Furada.

Iniciamos o pedal às 14:30h, eu não sabia exatamente a quilometragem da subida, mas imaginei que seriam umas 2 horas ou um pouco mais para subir até o topo.

Na saída a temperatura era de 25 graus, o sol brilhava e o céu estava limpo. Do camping até a entrada do morro foram 10 km em trecho praticamente plano e então começamos a subir… O primeiro quilômetro era uma subida suave e cheguei a comentar que se fosse assim até o topo seria muito tranquilo. Rsrsrs… mas logo a inclinação foi aumentando e até chegar no km 3 a subida foi bem forte. Ali há um pequeno recuo, onde paramos para respirar e tomar água. Depois disso as subidas continuam, porém revezando entre subida leve e moderada…

Subida para o Morro da Igreja

No km 6,5 inicia o Parque Nacional e ali há uma guarita onde um guarda recolhe as autorizações para seguir adiante. E esse é um ponto importante: há controle na entrada no Parque do qual o Morro da Igreja faz parte, tanto para carros, como ciclistas ou pedestres. A autorização é retirada no centro de Urubici, na sede da ICMBio, (veja detalhes clicando aqui) e se você não a apresentá-la ao guarda, não subirá a partir deste ponto! Ali havia uma torneira com água fresca e aproveitamos para nos refrescar e abastecer nossas caramanholas.

O fato de eu não saber a quilometragem exata me deixou um pouco ansiosa e despreparada mentalmente, pensei em desistir algumas vezes, mas pensando que fui eu quem insisti para ir até Urubici para isso, não dei o braço a torcer!

Pedra Furada com Neblina

Depois de quase 3h, chegamos ao topo! No último quilômetro, uma neblina começou a subir e tomar a paisagem.  Assim, em poucos minutos a neblina cobriu a pedra furada e não conseguíamos mais vê-la, evento muito comum naquele local, por conta da altitude: 1.732 metros sobre o nível do mar!! A temperatura rapidamente caiu para 17 graus com uma sensação térmica de 12 graus devido ao vento frio e até ficamos um tempo esperando para ver se a neblina se abriria novamente, mas devido ao frio, resolvemos descer logo. Foi uma descida maravilhosa!!

Chegando no camping, tomamos banho, fizemos uma massa para comer e abrimos um vinho para comemorar o feito do dia! A noite na barraca com aquele friozinho, somando o cansaço, foi muito tranquila!

Segundo os registros do GarminConnect, foram 51,6 km pedalados em 3 horas e 30 minutos com um ganho de elevação de 1.181 metros!! Haja panturrilha!

Sábado: Serra do Corvo Branco e Morro do Campestre

Definimos que iríamos até a Serra do Corvo Branco, outro ponto turístico famoso da região.

Serra Corvo Branco - Ripio

Saímos 9:30h da manhã aproximadamente, após o farto café servido no camping. Os primeiros 10km foram os mesmos do dia anterior e embora com uma linda vista e onde a novidade em relação ao dia anterior foi a visita à belíssima Gruta Nossa Senhora de Loudes. Depois desta refrescante parada, pedalamos por mais 9 quilômetros em asfalto para depois então encarar um trecho de de 6km  de estrada de chão com muitas pedras e subidas em meio aos paredões da Serra Geral.

A temperatura estava alta, em torno dos 30 graus mas o vento fresco amenizou um pouco. Eu estava um pouco cansada da subida do dia anterior, mas cheguei no topo sem grandes dificuldades… E lá estávamos, no ponto onde existe o maior corte em rocha arenítica do Brasil e onde aproveitamos para fazer a nossa já característica foto “engraçadinha”, hehehe…

Fenda no Corvo Branco

Levamos sanduíches para um picnic lá, de frente para a vista linda que se tem do mirante. Depois de um pequeno descanso, tiramos muitas fotos e voltamos para o camping onde 5 amigos de Floripa haviam chegado para também pedalar pela região: a Josi, Renatinha, Mariele, Vânio e Eduardo.  Apesar de sabermos que não íamos pedalar juntos (eles iriam subir o Morro da Igreja no dia seguinte) foi uma grata surpresa tê-los lá conosco!

Vista do Corvo Branco

Durante a tarde eles decidiram pedalar até a Cachoeira do Avencal, e nós como estávamos já um pouco cansados, resolvemos tomar banho e descansar um pouco, mas só um pouco!

Antes do pôr do sol, Ari e eu fomos até o Morro do Campestre, que ainda não conhecíamos e agora sem bikes. Mais um lugar incrível, com uma vista de tirar o fôlego!!

Morro do Campestre

À noite nos reunimos todos no camping e jantamos juntos: pizza, queijo e muito vinho regaram nossas conversas e risadas… É sempre muito bom ter amigos por perto!!

Turma

Neste dia, novamente segundo o GarminConnect, foram 51,4km em 3 horas com um ganho de elevação de somente 642 metros, hahaha…

Domingo: Avencal

Depois de mais uma noite de sono na nossa barraquinha, tomamos café e desfizemos nosso acampamento para voltar a Floripa, enquanto nossos amigos se preparavam para sua subida no Morro da Igreja.

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Antes de seguirmos para Floripa, ainda passamos na Cachoeira do Avencal, que é maravilhosa e tem uma tirolesa que passa por cima dela, a 130 metros de altura. Se nós andamos na tirolesa? Claaaaro!! Visual indescritível!!

Tirolesa Avencal

Agora sim, estávamos prontos para voltar pra casa, depois desse fim de semana cheio de emoções e aventura…

Volta

Que venham muitos outros assim!!

Até! 😉

E curtam o vídeo que segue, com nossa aventura em 66s!

 

Caminho de Santiago de bike – 14 dicas práticas

Temos recebido muitos contatos pedindo dicas sobre o Caminho de Santiago e eu adoro responder esses e-mails e mensagens.

Mas nem todo mundo tem paciência de enviar e-mail e para a informação ficar mais acessível, reuni algumas dicas úteis nesse post:

1 – Hidratação – Há muitas fontes pelo caminho, abastecíamos nossas caramanholas/squeezes sempre nas fontes ou nas torneiras dos albergues e não tivemos nenhum problema, além disso água fresca e muito boa de beber. Quando a água da fonte não é potável, existem avisos.

2 – Calçados – antes de ir pensei em levar apenas um tênis que fosse possível utilizar tanto para pedalar como para bater perna enquanto estivesse nas cidades. Como já pedalava de sapatilha de clip, na pequena viagem teste que fizemos um mês antes de irmos, eu testei o uso do tênis e percebi que pra mim não funcionava mais usá-lo para pedalar, o tênis é menos rígido e isso faz com que eu canse muito mais em longas distâncias. Sendo assim, levei a sapatilha de clip para pedalar e mais um tênis de passeio, o que funcionou muito bem!! Além da querida Havaianas para usar no albergue, tomar banho e tal.

3 – Pomada para o bumbum – quem fica muito tempo sobre o selim sabe que as irritações ocorrem, assaduras e etc. Como prevenção, usamos creme Fenergan ou Promergan. Passamos antes de depois das pedaladas e além de prevenir as assaduras, já trata a pele de possíveis irritações. Gostamos mais desse do que hipoglós porque não mancha as roupas e é melhor e aplicar. Obsevação: não utilizamos roupa íntima por baixo da bermuda/calça de ciclismo, o que ajuda muito no conforto durante o pedal.

4 – Saco de dormir – vai depender da época do ano em que você for, mas se for na meia estação como nós fomos, um saco de dormir que suporte temperatura até 5°C é o ideal. Nós usamos o modelo Micron X-lite da Nautika e foram ótimos, leves pequenos quando enrolados e deram conta do recado no frio e calor.

5 – Levamos uma fronha pra usar nos travesseiros e achei muito útil.

6 – Leve repelente – indico levar um em gel e outro em spray da marca Exposis (encontrado na Decathlon, se não tiver essa loja em sua cidade, pode conprar online – (http://busca.drogaraia.com.br/search?w=repelente%20exposis). O em spray você usa nas suas roupas, antes de deitar nas camas dos albergues. Os albergues são sempre muito limpos, mas pela rotatividade de pessoas e mochilas pernoitando no local, há risco de algum percevejo lhe picar. Eles são mais comuns no verão, mas recomendo a precaução.

7 – Leve um cadeado para prender a bike durante a noite. Os albergues em geral possuem locais para deixá-las, mas nem sempre são fechados, ou cobertos.

8 – A necessáire (bolsinha) de itens de higiene que leva para o banho, é muito útil que tenha um gancho para pendurar – dentro dos box de banho normalmente não há onde apoiar nada. Leve sempre com você os itens de valor e documentos. E pra facilitar esse leva-e-traz de roupas e documentos, levamos um saco de TNT (aqueles que se usa pra guardar sapatos no armário), ali levávamos as roupas limpas para o banheiro e depois do banho já trazíamos as roupas sujas direto para lavar.

9 – Quase todos os albergues possuem máquinas de lavar e de secar e você paga aproximadamente 3 a 4 euros por uso de cada uma delas. Como não tínhamos muita quantidade de roupa suja no dia, lavávamos à mão no tanque mesmo, usando sabonete Dove (com hidratante, não deixava a roupa dura :-P). No período que fomos, o sol se punha perto das 21h e normalmente secavam antes de irmos dormir. Apenas uma vez deixamos acumular roupas de 2 dias e lavamos/secamos nas máquinas e outra vez dividimos a lavagem com outros ciclistas que fizemos amizade naquele dia.

10 – Leve algo para prender as roupas no varal – levamos alfinetes (pregadeiras. joaninhas) de fraldas de bebê e foi ótimo para as roupas não voarem, além de não ocuparem espaço na bagagem.

11 – Alimentação – há muitas opções de café, bar, lanchonete ou mini-mercado em todo o percurso, não se preocupe que sempre irá achar, inclusive frutas. Porém, nas cidades pequenas é muito forte a tradição da siesta – às 14h fecha todo o comércio e a população vai dormir, reabrindo tudo somente lá pelas 17h ou mais – portanto, se quiser ter algo para comer/beber nesse horário é bom comprar antes das 14h e levar com você no alforge.

12 – Leve um adaptador de tomadas, aqueles como um T onde você coloca até 3 aparelhos a carregar são excelentes. Nem sempre você encontrará uma tomada só pra você, tendo um destes você pode compartilhar com outros a mesma tomada.

13 – algumas sacolas plásticas de supermercado – são muito úteis pra tudo e lá essas sacolas são cobradas nos mercados.

14 – Saca-rolhas/abridor de garrafas se pretende tomar vinhos pelo caminho. 😉

Se você tem alguma outra dúvida além das que escrevi acima, manda pra gente!

E Buen Camino!!

Caminho de Santiago de bike – Etapa Final – De Pedrouzo a Santiago de Compostela

Chegou o grande dia! A etapa final:

Despertei com o Ari me felicitando por meu aniversário! Que alegria acordar ali, em uma viagem incrível, ao lado do meu amado. O dia era mais que especial! Rapidinho nos arrumamos, tomamos café da manhã no albergue mesmo, com iogurte, ovos e frutas que tínhamos comprado no dia anterior. Saímos com uma alegria, uma vontade de chegar em Santiago logo. E por essa euforia toda, me lembro muito pouco do trajeto deste dia. Lembro que pedalamos em clima de muita paz, serenidade…

Passamos por muitos peregrinos, todos na mesma alegria pro estarem na reta final, cumprimentando-nos quando passávamos. Isso aumentou ainda mais nosso ânimo, nosso desejo de chegar. Pouco tempo depois, chegamos no Monte do Gozo, onde há um monumento em homenagem a visita do Papa naquele local na IV Jornada Mundial da Juventude. em 1989.

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em frente ao Monumento de Juan Pablo II.

Disseram que dali já daria para ver as torres da Catedral, mas nós não conseguimos ver nada… Estávamos mesmo era sem paciência de procurar, pois isso é possível sim, mas não soubemos achar onde seria esse mirante e fomos logo em direção à cidade, o apóstolo nos esperava!! rsrsrs..

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Entrada da cidade Santiago de Compostela.

Entramos na cidade e íamos seguindo as setas, mas nada de chegar na igreja, uma rua de paralelepípedos e depois entramos no centro antigo de Santiago, pequenas ruas, e sem visão das torres da igreja. Aquilo foi fazendo meu coração disparar, onde está? Imaginei que chegar até lá caminhando deva ser quase uma tortura psicológica… rsrsrs

De repente ouço uma gaita de fole tocando longe, olhamos para cima e vimos uma das torres! Estávamos na lateral da Catedral. Parei, as lágrimas começaram a brotar enquanto eu sorria, que emoção, que alegria!!

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Lateral da Catedral, chegamos!

 

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Em frente a majestosa Catedral de Santiago de Compostela.

Entramos na praça do Obradoiro e comemoramos muito! Mesmo com a catedral em reforma (há alguns anos já…) é linda!! Sentamos no chão, batemos fotos, comemoramos muito e não queríamos mais sair dali…

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Momento euforia extrema… rsrsrs

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Depois que a euforia baixou, precisávamos pensar onde iríamos dormir naquele dia, logo achamos uma pensão e fomos até lá tomar banho, guardar nossas bikes para finalmente entrar na Catedral, a missa do peregrino era às 12h e eu estava ansiosa para assisti-la.

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dentro da igreja e pertinho do altar de Santiago.

Entramos na igreja às 11h, já cheia de peregrinos… Não conseguimos lugar para assistir a missa sentados, ficamos de pé mesmo, era missa de Pentecostes e por esse motivo aquela missa teria a cerimônia do Botafumeiro – ritual que acontece somente 1 vez por semana e que eu queria muito assistir. Quando o botafumeiro foi aceso e erguido, meus olhos mais uma vez encheram-se de lágrimas,  foi um momento de muita emoção, e chorei muito de alegria, me senti realmente abençoada. A catedral é enorme, o altar é maravilhoso e depois da missa ainda ficamos caminhando dentro dela, conhecendo cada detalhe.

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Até que a fome bateu e nos obrigou a sair e procurar onde almoçar. Achamos um restaurante que servia uma boa carne assada e enormes cañas!! Um brinde! Tantas coisas a comemorar e agradecer…

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Ainda permanecemos mais 2 dias em Santiago, perambulando entre as ruazinhas e apreciando tudo o que a cidade tem a oferecer… Vale a pena, cidade linda!!

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E assim terminou nossa aventura, com muito gosto de quero mais!

Em breve farei outro post apenas com dicas úteis para esta viagem, aguardem!

😉

Acompanhe essa história desde o início clicando nesse link.

Caminho de Santiago de bike – Etapas 13 e 14 – de Portomarín a Pedrouzo

Como as próximas duas etapas são pequenas, resolvi contá-las em apenas um post:

Dia 13 – De Portomarín a Melide

Saímos com um pouco de frio, mas já não era mais tão intenso como nos dias anteriores…

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Curiosidade: na Galícia o idioma se aproxima muito do português…

Mais uma vez, o Caminho era repleto de túneis verdes, formados pelas árvores. Nestes últimos dias, o cheiro de esterco era bastante forte no ar, parece que é comum na região. Muitos cavalos e vacas deixam o rastro pela trilha, vida no campo…

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A ansiedade crescia por estarmos nos aproximando de Santiago, mas cada a km rodado queríamos parar, descansar, contemplar.

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Paramos em Palas de Rei e compramos os itens do picnic do dia. Seguimos até onde achássemos um local agradável para o lanche, até que  chegamos a uma igreja muito antiga que tinha um banco na frente, ali fizemos nossa refeição.

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Igreja medieval na Galícia.

Depois de descansarmos um pouco, continuamos a pedalar  e faltando aproximadamente 5km pra chegar em Melide alcançamos o Carlos (peregrino espanhol veterano, que já fez o Caminho 29 vezes), caminhando firme e rápido, seguia como um trator!!  Queríamos uma foto com ele, mas ele dizia que não podia parar, pois àquela hora estava muito cansado e se parasse não andaria mais. Tiramos uma foto quase na marra! Rsrsrs…

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Carlos, veterano no Caminho.

Chegamos em Melide, passamos em frente A Garnacha e vimos o dono preparando o famoso prato à base de Polvo.

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Preparo do Pulpo a Galega no restaurante Garnacha.

Fomos atrás de um albergue e conseguimos um quarto em um Hostel para dividir apenas com duas jovens canadenses. Foi ótimo, bastante sossego. Depois de um banho, fomos para a praça que ficava na frente do Hostel, e ficamos praticando o nadismo (a arte de fazer nada… ) até a hora de ir jantar, quando fomos na A Garnacha experimentar o Pulpo a La Gallega. E vale muito a pena viu? Pra quem curte frutos do mar é imperdível!!

Depois do jantar passamos numa feira e compramos cerejas para comermos enquanto caminhávamos pelas ruas, até chegar no Hostel e finalmente descansarmos nossos esqueletos…

Dia 14 – De Melide a Pedrouzo

Mais um dia praticamente plano, e quanto mais nos aproximávamos de Santiago, mais crescia a ansiedade de chegar logo! Mas nos mantivemos na nossa de decisão de chegar somente no domingo, dia 24/05 que coincidentemente era meu aniversário! Rsrsrs… Essa viagem fez com que eu não tivesse inferno astral, ou qualquer mimimi pré-aniversário. Foi tudo muito diferente e sem dúvida o melhor aniversário da vida! Mas calma, ainda não chegamos, estamos no nosso caminho, em meio às árvores, aquela calmaria e de repente: vacas meio do caminho!

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O dono as guiava para atravessarem o caminho para onde estava seu terreno. Ficamos ali parados, esperando todas passarem na maior tranquilidade… Trânsito liberado, seguimos em frente!

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O dia foi curto, logo chegamos a Pedrouzo e achamos um ótimo albergue para nos hospedarmos. Lavamos nossas roupas e as colocamos no sol, saímos para passear e comprar mantimentos para preparar uma refeição. Comemos pães, ovos, salada e até batata frita.

O albergue tinha mesas ao ar livre para fazermos nossas refeições, onde ficamos por um  bom tempo  tomando cerveja e conversando sobre coisas que vimos até chegar ali… Havia uma mesa de pebolim, que uniu duas espanholas, uma holandesa e uma alemã, num torneio que rendeu muitos gritos e risadas… E nós ríamos junto, contagiados pela alegria delas e pela quantidade de cerveja ingerida.

Anoiteceu e fomos dormir pensando em como seria o dia seguinte…

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 12 – de Triacastela a Portomarín.

Continuando o relato sobre percorrer o Caminho de Santiago de bike:

Saímos pela manhã tranquilos, em nosso roteiro tínhamos pouco menos e 50 km para vencer e poucas subidas. Além disso, estávamos em ritmo leve, aproveitando ao máximo os últimos dias.

Caminho de Santiago de Bike

O sol não permitiu que a foto ficasse boa, mas essa casa no meio do percurso merecia registro!

Nesse trecho há duas opções de caminho uma passa pelo Mosteiro de Samos e outra passa por San Xil. Não sei explicar porque, mas fomos automaticamente pela rota do Mosteiro de Samos. E valeu tanto!! Que linda construção!! Que paz ao redor daquele lugar!!

Caminho de Santiago de Bike

O lindo Mosteiro de Samos..

Contemplamos por um tempo, tomamos um café em frente ao Mosteiro e seguimos.

Caminho de Santiago de Bike

Quem disse que hoje o dia era plano??

Chegamos em Sarria bem antes do meio-dia e pensamos em almoçar por ali. A cidade fica num ponto bastante alto e demoramos para achar onde seria o centro, já que o caminho tradicional é por uma longa escadaria e tivemos que desviar para subir com as bikes carregadas. Sentamos numa mesa na rua, comemos calmamente e descansamos um bom tempo observando os peregrinos que iam chegando à cidade.

Caminho de Santiago de Bike

Em Sarria, apenas observando…

A parte da tarde foi praticamente toda por túneis verdes, formados pelas árvores da região.

Caminho de Santiago de Bike

Obstáculos fáceis de ultrapassar…

Caminho de Santiago de Bike

E a pergunta na cabeça: mas hoje não era plano??

Chegamos num ponto marcante do Caminho de Santiago, o marco que indica a distância faltante para Santiago – 100km. Essa é a quilometragem mínima a ser percorrida por um peregrino para que receba a Compostelana (certificado), e por isso muitos começam o caminho a partir de Sarria, aqueles que não conseguem percorrer todo o trajeto seja por restrição física ou de tempo. Para quem percorre o Caminho de bicicleta o mínimo é de 300km. Tiramos foto no marco e seguimos até Portomarín, nossa cidade destino do dia.

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Só mais 100 km…

Portomarín fica também no alto, é uma cidade que foi toda reconstruída após ser inundada propositalmente por conta de uma barragem construída na região.

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Chegando em Portomarín.

Ficamos num albergue enorme, deve ter umas 120 camas no mesmo salão, mas acho que não ocuparam nem metade naquela noite. Tudo bem limpo e organizado.

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Igreja da cidade, que foi desconstruída pedra por pedra e reconstruída no alto, onde a cidade se reinstalou…

Como de costume fomos à praça, dar uma volta e conhecer um pouco. Compramos mantimentos para fazer o jantar no albergue, mas antes sentamos num restaurante que fica ao lado da igreja para experimentar o “pulpo à gallega”. Prato típico da região, um polvo temperado com páprica espanhola, muito maravilhoso diga-se de passagem e muito famoso em Melide, que seria a próxima cidade destino. Resolvemos experimentar em Portomarín, para termos parâmetro de comparação com o mesmo prato servido em Melide, onde dizem ser o melhor.

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O Pulpo à la Galega de Portomarín.

Enquanto comíamos o Pulpo (polvo), dois senhores espanhóis que estavam na mesa ao lado puxaram papo conosco. Peregrinos veteranos (um deles já fez o Caminho 29 vezes!), disseram para experimentarmos o polvo em Melide, que lá é que se come o melhor preparo deste prato. Como eu disse antes, nós já sabíamos disso, e explicamos a eles o motivo de estarmos comendo ali. Eles então nos indicaram o restaurante de Melide onde se come o melhor “Pulpo à Gallega”, chamado A Garnacha. Ficamos conversando enquanto bebíamos uma boa cerveja e fomos para o albergue preparar nossa janta. Após um farto jantar, ficamos sentados na frente do albergue que tinha uma linda vista do lago e o pôr do sol. Quando a escuridão começou a dominar o céu, já era hora de nos prepararmos para dormir…

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Vista do lago formado pela barragem que inundou a cidade antiga de Portomarín.

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 11 – de Villafranca Del Bierzo a Triacastela.

Mais uma etapa do Caminho de Santiago de Compostela, mais um dia de desafios, reflexões e recompensas…

Na nossa programação inicial, o dia de hoje, seria de pedalar até Melide, o que daria 88 km e no dia seguinte já pedalaríamos até Santiago. Porém, percebendo que estávamos na reta final e com  aquela sensação de não querer que acabasse, percebemos que os dois dias que havíamos reservado para um descanso, ou qualquer imprevisto nesta viagem, não foram usados até então. Dessa forma, resolvemos dividir os percursos dos 2 últimos dias em 4, assim usaríamos os dias extras para pedalar também, continuando no Caminho por mais tempo.

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Na saída de Villafranca del Bierzo..

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Ainda na saída de Villafranca…

Saímos então pela manhã de Villafranca e fomos em direção ao Cebreiro. Esse trecho seria o maior desafio da nossa viagem, já que era a maior altimetria do Caminho de Santiago (do trecho percorrido por nós). Nos preparamos bem para tal, mas a ansiedade era enorme, queríamos muito chegar lá no alto e ver o vilarejo do Cebreiro, tão comentado por todos que lá já estiveram… Fomos pedalando pela carretera (asfalto) e o aclive era até bem leve no início, fomos brincando, conversando, e cada vez mais próximos do destino.

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Subida para o Cebreiro.

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Como o caminho original dos peregrinos é outro, aqui éramos só nós numa imensidão de verde..

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Começou a esquentar e eu tirei o corta-vento..

Chegamos numa pequena vila, onde havia um bar e 3 caminhos a seguir. Ficamos um pouco confusos de qual seria a direção que deveríamos tomar e perguntamos a um rapaz no bar. Ele nos disse que tínhamos mesmo 3 opções: a primeira delas era de 8km, a segunda de 12km (mais longa porém em asfalto), ou uma terceira de 4km que é a trilha original dos caminhantes. Ele nos tranquilizou dizendo que a trilha mais curta tinha apenas 500 metros de terreno muito ruim onde teríamos que empurrar a bike e logo depois ficaria tranquilo para pedalar. Seguimos então seu conselho e acabamos tendo que empurrar a bike por uns 2 km ao menos!

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Esse peregrino aí é Brasileiro! 🙂 E ficou todo orgulhoso de me passar enquanto eu sofria pra empurrar a bike… 😛

O peso da bike somado ao da bagagem fica gigante!! E os peregrinos passavam por mim tirando onda…  Cansei, parei, larguei a bike no chão, comi uma maçã enquanto observava a vista linda que deixamos pra trás. Logo o Ari que estava bem mais à  frente apareceu, voltou porque sentiu minha falta e carregou minha bike até chegarmos onde ele havia deixado a dele. Prosseguimos naquela batalha, ele me puxando e eu rosnando.. Porque quando eu estou exausta e ainda tenho que pedalar é assim que eu fico, rosnando. Até que chegamos num novo trecho de carretera, ufa!

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Ufa! Voltamos para a carretera!

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A vista que se tem de lá de cima é incrível!!!

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Mas a subida não acabou…

Mas ainda tinha subida! Começou a chuviscar, o frio foi ficando intenso e enfim chegamos no Vilarejo do Cebreiro!

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Ari: Faz cara de feliz! Eu: Mas que frio!!! Ari: Anda Aline! Faz cara de feliz logo e vamos bater essa foto! rsrsrs

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Em frente a mítica igreja do Cebreiro…

Visitamos a igreja e logo fomos em busca de um lugar pra ficar, queríamos passar a noite ali. Era meio dia, o albergue só abria as 13h e já tinha fila. Preferimos ficar na fila pra garantir a cama antes de tudo. E foi esfriando, colocamos TODAS as blusas que tínhamos e ainda fazia frio. O albergue abriu, o Ari ficou cuidando das bikes enquanto eu segui na fila pra fazer o check in. Demorou 1 hora até que chegasse a minha vez, quando a senhora hospitaleira olhou para o meu capacete pendurado no braço e soltou grosseiramente: Ciclistas só depois das 19h e se sobrar vaga! Não acreditei e pedi que ela repetisse, não podia ser verdade…

Vale aqui ressaltar este alerta: a regra no Caminho em geral é esta: a preferência nos albergues é dos caminhantes, ciclistas normalmente só entram depois das 18h ou 19h e  se sobrar vaga, afinal, para o ciclista é mais fácil seguir até a próxima cidade. E ocorre que para nós, até aquele dia, nenhum albergue nos restringiu a entrada em qualquer horário, havíamos até esquecido desta regra e ingenuamente achamos que teríamos lugar ali. Mas com razão, este é um lugar onde a regra precisa ser obedecida, afinal é um trecho de grande dificuldade e se um caminhante chega lá no alto e não tem onde dormir, a coisa complica muito.

Enfim, voltei para o Ari já chorando, chateada com a situação e só pensava em ir embora dali, queria um banho quente. Subimos na bike e fomos atrás do próximo vilarejo. Com muito frio, vento e chuva, seguimos por mais 21km até Triacastela.

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Mas antes subimos mais um pouquinho até o Alto do San Roque…

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E ainda subimos MAIS um pouquinho até o Alto do Poio…

Lá encontramos um albergue com chuveiro quente e lugar para colocar nossas bikes em lugar coberto. Tomamos um ótimo banho, colocamos as roupas para lavar na lavadora do albergue e fomos no restaurante ao lado tomar um caldo galego, prato típico da região, mas que eu não posso dizer que amei, era bom, mas pouco tempero pro meu gosto. Compramos mantimentos para fazer a janta no albergue e retornamos para cuidar das nossas roupas que teriam que ir para a secadora neste dia, não havia sol e tínhamos acumulado roupas sujas do outro dia. Na hora do jantar, sentamos à mesa para comer e logo chegou  para sentar conosco uma brasileira, a Ligia que é paranaense e fazia o Caminho sozinha, também sentou conosco o Eduardo que é espanhol e logo depois atraídos pelo idioma, outro casal brasileiro de Minas Gerais que também se hospedara ali. E a conversa rolou até a hora de todos se recolherem…
Foi um dia intenso…

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 10 – de Rabanal del Camino a Villafranca del Bierzo.

Dia 10 – Rabanal Del Camino a Villafranca Del Bierzo

Mais uma manhã gelada! A noite de sono foi muito tranquila, poucos peregrinos no nosso albergue e fomos mais uma vez os últimos a sair pela manhã… Encontramos um café ainda dentro do povoado pra aquecer-nos antes de começar o pedal.

Caminho de Santiago de Bike

Aquela cara de sono de manhã cedo que nem o óculos esconde…

Caminho de Santiago de Bike

Os sinais do caminho…

Nosso trajeto de hoje prometia fortes emoções, chegaríamos na Cruz de Hierro, ponto muito marcante do Caminho e logo vou explicar o motivo. A Cruz de Hierro (cruz de ferro) fica num ponto de grande altitude, sabíamos que a subida seria forte, mas treinamos bastante pra essa etapa, então eu estava com a cabeça e corpo preparados! Mas o frio na barriga me acompanhou até chegarmos lá no alto e avistarmos a Cruz!

Caminho de Santiago de Bike

Cruz de Hierro à vista!

Caminho de Santiago de Bike

É muito frio!

Nesse ponto, os peregrinos deixam uma pedra, que carregam em sua mochila até ali, e conosco não foi diferente! Nossas pedras foram conosco desde o Brasil! Há alguns significados para este rito, um deles diz que quando você deposita a sua pedra ao pé da cruz, está deixando pra trás tudo o que carregou na vida até ali, você começará uma nova vida após o Caminho, e então você se liberta do peso do passado…

Caminho de Santiago de Bike

“Pequeno” monte de pedras trazidas por peregrinos de toda parte do mundo!

Tinham muitas pessoas chegando naquele mesmo momento e cada um tem um tempo para subir na montanha de pedras e deixar a sua junto a cruz. Foto para registro e agora vamos começar a descer…

Caminho de Santiago de Bike

Nosso momento, deixando nossas pedras no caminho…

Se na subida já estava frio, na descida estava literalmente congelante! Tive que parar algumas vezes e esquentar as mãos no bafo! Kkkk…

Caminho de Santiago de Bike

Esfriou ainda mais! Brrrr

Caminho de Santiago de Bike

Quase encostando nas nuvens. 😛

No primeiro povoado que avistamos, El Acebo, encontramos um café/bar  e não pensamos duas vezes, largamos as bikes na rua e entramos correndo pra nos aquecermos com um café bem quente! O bar estava lotado, todo mundo fazendo uma pausa para seguir adiante. Eu tomei um chocolate quente, segurando a xícara com as duas mãos em volta para descongelá-las… hummm delícia! Comemos tortilha de batata com pão, também aquecidos. O frio era tanto, que esta parada ficou marcada em nossas memórias! Até hoje comentamos sobre ela…

Caminho de Santiago de Bike

Povoado de El Acebo.

Depois desse momento conforto, hora de subir na bike e continuar, ainda tínhamos mais descida pela frente! Chegamos numa parte da estrada com muitas curvas, e depois de nos deliciarmos com essa descida leve e no sol, em Molina Seca, mais uma pequena cidade cheia de charme. Passamos pela ponte e a vontade era de ficar por ali mesmo, sentados à beira do rio. Mas nosso objetivo do dia era mais à frente.

Caminho de Santiago de Bike

Nas curvas do Caminho…

Caminho de Santiago de Bike

Em Molina Seca.

Logo depois, chegamos em Ponferrada, uma cidade maior e onde há o Castelo dos Templários, construção iniciada em meados do século XII como uma igreja e que depois foi doada aos cavaleiros da Ordem dos Templários, encarregando-os de defenderem os peregrinos naquele trecho do Caminho. Nós decidimos almoçar ali, mas acabamos um pouco perdidos perto do Castelo, onde o caminho passa por escadarias e o guia nos mandou passar por um desvio, que nos fez passar por trás do Castelo , sem que nos déssemos conta de que estávamos passando por ele!!

Caminho de Santiago de Bike

Os fundos dos Castelo do Templários…

Bem, fomos seguindo, procurando um local para um lanche, e só achamos algo convidativo quase na saída da cidade. Comemos um bocadillo cada um com coca-cola bem gelada…  Continuamos nossa tarde sob um forte sol, comemos cerejas compradas na beira da estrada, tomamos vinho em uma degustação, e de parada em parada, chegamos na cidade que programamos pernoitar: Villafranca del Bierzo.

Caminho de Santiago de Bike

Degustando vinho del Bierzo…

Caminho de Santiago de Bike

Chegando em Villafranca del Bierzo.

Chegamos com um sol gostoso, aquele frio intenso ficou pra trás. Nos hospedamos num albergue maravilhoso, chamado Albergue de Leo. Muito aconchegante, recém reformado, o albergue é de uma família muito simpática, que vendo que éramos um casal nos acomodaram num quarto com apenas 2 camas! Mesmo sendo um quarto onde a porta que dividia-nos de outro quarto era uma cortina, ficamos muuuuito agradecidos. ❤  Mais uma noite muito bem acomodados! Tomamos um ótimo banho e depois saímos pra caminhar na cidade, fizemos picnic na praça, tomamos vinho, comemos uma massa em um restaurante da Plaza Mayor, tomamos mais vinho, e já com o riso frouxo, fomos para o albergue dormir… 😀

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Caminho de Santiago de bike – etapas 8 e 9 – de Sahagun a Rabanal del Camino

Hoje teremos duas etapas em um post só! Vejam como continuou a aventura de Aline e Ari no Caminho de Santiago de Compostela de bike:

Dia 8 – De Sahagun a Leon

Caminho de Santiago de bike

Arco de San Benito em Sahagun.

Mais um dia de muito frio, hoje nosso dia era de apenas 54km e poucas subidas, fomos bem tranquilos e por um tempo foi até um pouco monótono, mesma paisagem por muito tempo.

Caminho de Santiago de bike

Trajeto tranquilo, sem subidas…

Caminho de Santiago de bike

Um bom trecho com a mesma paisagem…

Chegamos em nosso destino ainda antes do almoço!

Caminho de Santiago de bike

Já bem perto de León.

Já havia esquentado bastante em Leon, almoçamos um menu do peregrino no próprio alberque que é de uma congregação de freiras beneditinas e onde há também um hotel de luxo.

Caminho de Santiago de bike

Albergue Santa Maria de Carbajal, cuidado por freiras beneditinas.

Depois do farto almoço saímos a passear na cidade, era domingo, a cidade de León, uma das maiores do nosso percurso. Estava lotada, bares abertos com mesas nas ruas, os peregrinos se misturavam ao povo da cidade passeando por entre as ruas com o sol a todo vapor.

Caminho de Santiago de bike

A alegria pairava no ar. Caminhamos bastante, passamos por uma apresentação de idosos dançando com castanholas, uma festa!  Sentamos em frente ao prédio do famoso Gaudí, ficamos debaixo de uma árvore, observando, descansando, tomando sorvete e respirando o ar espanhol…

Caminho de Santiago de bike

Obra do famoso Gaudí.

Ao cair da tarde, procuramos um local para comer uma paella, queríamos comer num restaurante daqueles com mesa na rua, para apreciar o movimento enquanto comíamos e fomos enganados na maior cara de pau: a minha paella tinha um camarão e um anel de lula, e a do Ari que era mista tinha uma coxinha de asa de frango além do que tinha na minha. Aff!!! Depois dessa fomos para o albergue, assistimos a missa cantada pelas freiras e nos recolhemos para aquela que seria a noite mais mal dormida da viagem…

Dia 9 – De Leon a Rabanal Del Camino

A noite foi difícil, o albergue era enorme, basicamente um salão, pé direito baixo e apesar de lá fora fazer frio, a quantidade de pessoas dormindo, respirando e emitindo gases no mesmo cômodo fez com que a temperatura ficasse bastante alta. Muitos ruídos de gente entrando e saindo pra ir ao banheiro, muitos roncadores competindo o nível de decibéis, os tampões não funcionaram muito bem… Eram 5:30h da manhã ainda e eu não conseguia mais ficar ali. Olhei pra cama de baixo, o Ari também estava acordado e incomodado. Resolvemos levantar e partir no escuro mesmo…  Com um pouco de dificuldade conseguimos sair do centro da cidade, e percebemos que a nossa alegria era mesmo estar em cima de nossas bikes e pedalando!

A luz do dia foi se abrindo e nós logo chegamos na frente do Hotel Parador de Espanha, um prédio muito lindo e imponente, hotel luxuoso do Caminho… Paramos pra tirar uma foto, a qual não saiu muito boa por conta da pouca luz… :-/

Caminho de Santiago de bike

Hotel Parador de Espanha.

Nós logo fomos ultrapassando os primeiros caminhantes do trecho, chegamos numa parte onde estávamos só nós dois, ninguém a vista para frente ou para trás… resolvemos fazer algo pra divertir, paramos para uma foto (ou várias) com salto ornamental, mas nem tanto… rsrsrs..

Caminho de Santiago de bike

Seguimos um pouco mais e chegamos a Astorga, mais uma importante cidade do Caminho. Ao lado da catedral de Astorga, fica a Casa Episcopal – que hoje é um museu – outra obra de Gaudí, linda construção e que impressiona por seus detalhes. E entramos  no pátio para uma foto.

Caminho de Santiago de bike

Chegando a Astorga.

Caminho de Santiago de bike

Casa Episcopal

Fizemos nosso já tradicional picnic numa pequena praça de Astorga, observados por alguns idosos que faziam seu passeio da tarde. Descansamos e continuamos nossa jornada, afinal o nosso destino do dia era Rabanal Del Camino.

Depois de sairmos de Astorga, entramos num trecho bastante deserto, passamos por poucos peregrinos, talvez pelo horário, já estivessem em seus destinos. Logo começou um vento contra, que me deixou de muito mal-humor e sem energia. Os últimos 10km de um leve sobe e desce que mais pareciam 30! Até que chegamos, ufa!!

Caminho de Santiago de bike

Cruzes no caminho.

Achamos o Albergue municipal, uma casa medieval (assim como todo o povoado), com paredes de pedra muito grossas, poucas camas e uma placa na entrada que dizia para entrarmos, escolhermos nossas camas e que mais tarde uma hospitaleira viria nos cobrar e se apresentar. Assim fizemos, tomamos banho, lavamos nossas roupas, lavamos as bikes e saímos pra comprar algo para beber e comer.

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Albergue municipal de Rabanal del Camino.

Voltamos para o albergue, que tinha um quintal arborizado onde batia um sol gostoso, sentamos numa das mesas para comer batatinhas e beber cerveja enquanto atualizávamos redes sociais e falávamos com a família.

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Quintal do albergue.

Logo entrou no quintal um padre muito jovem, estatura enorme, direcionou-se a mim, me perguntou se gostaríamos de assistir a missa em latin que aconteceria as 19h, na igreja da cidade. Eu prontamente disse que sim, e confirmei que estaríamos lá. O padre é alemão e estava a trabalho naquela comunidade a 3 meses, perguntou de onde éramos, disse que já percorreu o caminho e que agora estava prestando serviço ali.

Fomos a missa conforme prometido, a igreja é de uma simplicidade cativante, pequena e impressiona por se tratar de uma construção muito antiga. Estava com quase todos os bancos ocupados, e logo depois que chegamos, mais peregrinos se acumulavam de pé nos cantos da igreja para assistir a missa em latin. E foi lindo, abençoado momento!

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Igreja de Rabanal del Camino.

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Interior da igreja.

Depois da missa passamos no mercadinho, compramos mantimentos e fomos cozinhar no albergue: massa com hambúrguer (sentíamos falta da carne bovina). Outros peregrinos também cozinhavam, era comum. Jantamos e nos recolhemos. Rabanal Del Camino já fica numa região de mais altitude e muito frio, e naquele dia tive que puxar um cobertor para me cobrir por cima do saco de dormir… brrrr

Continua…

Se este foi o primeiro artigo que achou, volte neste link e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.